Nestes dias fui conferir, no MASP, “O outro e eu“, do pintor francês Paul Gauguin e a exposição só pelo seu nome, já me chamou.
O outro, que apesar de externo, está habitado e arraigado. Você pode até sair do outro, mas o outro não sai de você. Então, como se libertar para além daquele olhar?
Assim como Gauguin descreveu em uma de suas obras:
“Estou partindo para ter paz e tranquilidade. Livrar-me da influência da civilização. Quero fazer apenas arte simples, e para isso preciso estar imerso na natureza virgem, não ver outros que não os selvagens, viver com eles.”
E a partir do simples, o mesmo inovou e fez uma verdadeira revolução!
A partir da natureza, do cotidiano e das pequenas coisas da vida, Gauguin se inspirou e fez uma verdadeira transformação. Pois, com ele, nasceu uma nova linha artística, uma nova visão!
Desta forma, o artista se sentiu livre para criar, livre das amarras da civilização, que tanto o acorrentavam e aprisionavam a sua criação.
E como ele chegou a esta solução?
Com a necessidade de livrar-se do que era do outro, foi em busca de algo que fizesse sentido, onde pudesse encontrar a si mesmo, se escutar. E, a partir de uma visão mais pura e autêntica para a época, o mesmo, muito observador, conseguiu retratar aquele seu olhar singular.
Mas por quê, então, você não consegue se escutar, na presença do outro olhar?
Acredito que porque isso tudo seja um processo, no qual, o trecho do “O Guardador de Rebanhos”, de Alberto Caeiro, consegue muito bem retratar:
“O essencial é saber ver. Saber ver sem estar a pensar. Saber ver quando se vê. E nem pensar quando se vê. Nem ver quando se pensa. Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!). Isso exige um estudo profundo. Uma aprendizagem de desaprender.”
Quando pelo ambiente você é condicionado, seu pensamento acaba sendo (involuntariamente) moldado. Te tornando, pelo olhar do outro, eternamente aprisionado.
Do ambiente tóxico, então, você precisa sair. Para ir em busca de onde seja propício para criar, onde não haja aquele olhar. Mas, então, como encontrar este lugar?
É simples! Basta saber onde você consegue ser livre para se escutar, onde possa ver sem estar a pensar, conseguindo assim, o olhar do outro, suportar.
A exposição, pelo seu nome, me chamou, mas foi a partir da sua busca pelo simples e pelo cotidiano, que realmente, me cativou.
Beatriz Frias é Administradora de Empresas por formação e Estudante de Nutrição por paixão. Sempre em busca de um estilo de vida mais consciente e saudável, compartilha dicas em seu Instagram @biafriasnutri.
*Texto originalmente publicado no Jornal Folha de Piracicaba, pág. 22, no dia 4 de junho de 2023.

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