A IMPORTÂNCIA DO SUPORTE FAMILIAR NO TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES
O filme, traduzido como “O mínimo para viver“, retrata a vida de uma jovem (Ellen), que possui Transtorno de Anorexia Nervosa e comportamentos comuns a este transtorno, como: a obsessão pela contagem de calorias dos alimentos e por atividades para queimar calorias, que, em seu caso, eram: andar, correr e fazer abdominais, quando ninguém estava vendo, além do excesso de controle consigo mesma.
Filha de pais separados, cuja mãe foi morar com outra mulher, em uma cidade distante da sua; enquanto o pai, muito ausente (tanto que nem aparece no filme), casou com outra mulher, a qual, apesar de Ellen não gostar muito, parecia ser a única a se importar um pouco mais com a garota.
Este cenário todo, certamente, reflete na educação e formação de Ellen, uma vez que, ambos os pais pareciam não se importar com a filha. Enquanto a mãe dizia já não saber mais como auxiliar, tanto que não queria mais a filha morando com ela, a madrasta era quem a levava aos médicos e defendia a ausência do pai, dizendo que o mesmo estava muito ocupado trabalhando para prover os tratamentos necessários para a garota.
Depois de várias tentativas diferentes, entre internações e clínicas, Ellen inicia um novo programa, em uma casa, na qual moravam também outros jovens com transtornos alimentares, desde Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa e Transtorno de Compulsão Alimentar.
Em uma sessão em grupo, a profissional que os acompanhava, na casa, chegou a falar uma frase muito impactante: “O que vocês querem é uma anestesia para aquilo que não querem sentir.” E, acrescentando, acredito que esta busca vai resultar sempre em sofrimento.
Na medida em que, a pessoa não aceita o que está acontecendo e não se sente acolhida e pronta o suficiente para externalizar seu sentimento, esta busca pela “anestesia” vai se intensificando mais e mais e, consequentemente, sua frustração também.
Esta busca por algo instantâneo, seja para curar, resolver, tapar, completar, controlar, além de fugir deste sentimento de culpa que sente, uma vez que o filme também retrata que, de alguma forma, Ellen sente que é um peso na vida de seus familiares.
E, falando em culpa, o médico, que possui uma ótima psicologia e forma de lidar com seus pacientes, chegou a falar, em um encontro com o grupo: “Que se dane a culpa. Aqui não há lugar para a culpa, só como quer viver daqui pra frente.” Ou seja, implicando cada um a se responsabilizar pelos seus atos, independentemente do que tenha acontecido em suas vidas.
Portanto, acredito que o apoio familiar seja essencial para um melhor processo no Transtorno Alimentar, uma vez que, a participação dos pais interfere diretamente na forma de lidar com o tratamento.
Entretanto, ainda assim, mesmo em casos como este mostrado no filme, fica clara a importância da atuação do profissional da saúde, como deste último médico, que disse para a jovem: “Não posso te consolar. A ideia de que pode se sentir segura é infantil e covarde.” Ou seja, implicando-a, mais uma vez, em sua vida, daqui em diante.
Obs.: O drama americano é escrito e dirigido por Marti Noxon e conta com ótimos atores, como: Lily Collins e Keanu Reeves. Disponível no Netflix.
Beatriz Frias é Administradora de Empresas por formação e Estudante de Nutrição por paixão. Sempre em busca de um estilo de vida mais consciente e saudável, compartilha dicas em seu Instagram @biafriasnutri.

*Texto originalmente publicado no Jornal Folha de Piracicaba, pág. 11, no dia 25 de junho de 2023.
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