Coluna Estilo de Vida

O Mito das Dietas

Por Beatriz Frias

Seguindo nesta segunda temporada com temas mais relacionados ao Comportamento Alimentar, neste encontro vamos falar sobre “O Mito das Dietas”.

Vivemos em uma cultura que glorifica dietas e números na balança, mas ignora o impacto real dessas práticas no corpo e na mente. Isso se deve muito devido ao imediatismo em que vivemos e somos frequentemente cobrados. Com isso, o mito das dietas e de seus consequentes “milagres” ainda aprisionam muita gente, e entender isso é o primeiro passo para se libertar.

É comum acreditar que emagrecer significa simplesmente “perder peso”, como se o número na balança fosse a única medida da nossa saúde. Mas, como nutricionista comportamental, reforço diariamente que peso é apenas um dado, o qual é composto por gordura, músculo, água, etc. Reduzir toda a complexidade do corpo humano a um único número é não só injusto, como também perigoso.

As dietas restritivas, tão populares e celebradas como atalhos, até podem levar à diminuição rápida do peso na balança. Mas isso nem sempre significa perda de gordura. Geralmente, o corpo responde à falta de energia, basicamente: reduzindo massa muscular e água — justamente os componentes que não é interessante perder. Menos músculo significa um metabolismo mais lento, já que se trata de um tecido metabolicamente ativo, inclusive quando em repouso. 

E quando o metabolismo desacelera, a taxa de oxidação de gordura — o verdadeiro processo de emagrecimento — consequentemente também diminui. O organismo, percebendo o déficit extremo, interpreta essa situação como uma ameaça à sobrevivência. Entra, então, em ação um conjunto de mecanismos de proteção, guiados pela homeostase (busca pelo equilíbrio do corpo), que aumentam o apetite e intensificam a produção do hormônio da fome. Não é sobre falta de “força de vontade”: é biologia pura. O corpo tenta nos defender de uma possível escassez, estimulando a busca por energia de forma quase irresistível. Afinal, precisamos dela para nossa sobrevivência, desde sempre. Em outras palavras, até aqui: quanto mais restritiva a dieta, maior a chance de o corpo gastar menos e querer armazenar mais.

Esse aumento fisiológico da fome, somado ao cansaço mental de seguir regras rígidas, leva muitas pessoas a episódios de descontrole alimentar – inclusive aqui vale citar uma máxima: “toda restrição pode gerar uma compulsão”. E quando o peso volta — muitas vezes ainda maior — surgem: a culpa, a vergonha e a sensação de fracasso. Assim se forma o efeito sanfona, extremamente comum em quem vive preso ao ciclo das dietas restritivas.

É importante destacar também que nem toda gordura corporal é igual. Temos a gordura subcutânea, que fica logo abaixo da pele, e a gordura visceral, que se acumula ao redor dos órgãos internos e está mais associada aos riscos metabólicos. Por isso reforço: perda de peso não é, necessariamente, sinônimo de emagrecimento, tampouco saúde.

Então, o que fazer?

Se dietas restritivas não funcionam a longo prazo — e muitas vezes prejudicam — qual é o caminho? A resposta está justamente no oposto do radicalismo: mudanças gradativas, consistentes e alinhadas à realidade da pessoa. Pequenos ajustes feitos diariamente são muito mais eficazes e sustentáveis do que estratégias drásticas que ninguém consegue manter.

O corpo precisa de tempo para se adaptar. Assim como não ganhamos peso de um dia para o outro, também não é razoável esperar transformações imediatas. O processo é contínuo, exige paciência e envolve aprender a ouvir os sinais corporais, ajustar comportamentos, entender a fome, a saciedade, identificar gatilhos emocionais e desenvolver autonomia alimentar.

Quando colocamos a saúde como foco, e não somente o número da balança, tudo muda. O objetivo passa a ser: mais energia, melhor digestão, mais disposição física e mental, sono de qualidade, relação equilibrada com a comida e um corpo que funciona bem. E, como consequência natural — não como prisão — o corpo responde: o metabolismo melhora e o estilo de vida se torna sustentável. Corpo e mente agradecem.

Emagrecimento verdadeiro envolve redução de gordura corporal, preservação de músculos, metabolismo ativo e um relacionamento saudável com a comida. Isso não acontece com dietas extremas, mas com escolhas conscientes, respeito ao corpo e hábitos sustentáveis — construídos com autonomia, presença e autoconhecimento.

Percebem como o COMER CONSCIENTE vai para além das dietas? Desta forma, você é o protagonista da sua história e escolhas, com base em conhecimento e  saúde.O tema do nosso próximo encontro será: “O Corpo e a Mente”. Confira mais aqui na próxima semana! Até lá.

Sobre Beatriz Frias

Beatriz | Nutrição & Estilo de Vida  

Nutricionista (CRN-3: 82088) e terapeuta nutricional, capacitada pelo Instituto de Nutrição Comportamental.

Com metodologia de trabalho diferenciada, atua como facilitadora em processos de mudança de Estilo de Vida, através de Acompanhamento Nutricional mais próximo e individualizado, com foco em resultados reais e sustentáveis.

Serviços Oferecidos:

  • Acompanhamento Nutricional Individualizado
  • Acompanhamento Nutricional para Casais
  • Acompanhamento & Educação Alimentar para Adolescentes
  • Programa em Grupo – Escolha Alimentar Consciente *PEAC*
  • Palestras Corporativas

Locais de atendimento:
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Mais informações no site: www.beatrizfrias.com.br

*Texto originalmente publicado, na Folha de Piracicaba.


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