Coluna Estilo de Vida

Corpo, Composição e Comportamento: Repensando o Emagrecimento

Por Beatriz Frias

Em um momento em que o emagrecimento volta ao centro das conversas — impulsionado por soluções rápidas, medicamentos e promessas de resultados acelerados — talvez valha retomar uma pergunta básica: perder peso é a mesma coisa que emagrecer?

Não necessariamente.

A balança mostra um número. Mas ela não conta a história toda. 

Você sabia?

Perder peso não é o mesmo que emagrecer

Nosso peso corporal é composto por diferentes tecidos: massa gorda, massa magra (como músculos) e água. Então, quando o número diminui, não sabemos realmente o que foi perdido.

Na teoria, emagrecimento é sinônimo de redução da gordura corporal. Por outro lado, perder peso significa apenas registrar menos quilos, independentemente da composição. 

Certo?

Dito isso, temos as seguintes conclusões:

  • perder peso e não emagrecer: quando a perda ocorre principalmente de massa muscular
  • ganhar peso e emagrecer: quando há aumento de massa magra acompanhado da redução de gordura
  • ou até emagrecer sem mudança na balança: quando acontece uma troca de composição corporal e, com isso, o percentual de gordura corporal diminui

Pode parecer contraintuitivo, mas é mais comum do que imaginamos.

O papel da composição corporal

Por isso, entender a composição corporal é fundamental. Saber quanto do peso corresponde à gordura e quanto corresponde à massa magra amplia a leitura sobre o contexto e evita reduzir o cuidado com o corpo a um único indicador.

{Na minha prática clínica em consultório, por exemplo, costumo fazer o exame de Bioimpedância, um método indireto de avaliação de composição corporal e que é muito eficiente por ser rápido, indolor e não invasivo.}

Mas, voltando à nossa conversa, essa reflexão se torna ainda mais necessária em um cenário onde a velocidade de um único resultado costuma receber mais atenção do que a forma pela qual ele foi atingido. 

Você já parou para pensar?

Resultados rápidos e o que eles podem esconder

Perdas de peso rápidas — sejam por dietas muito restritivas ou por estratégias centradas apenas na redução do apetite — frequentemente vêm acompanhadas de perdas acentuadas de massa magra. Digo acentuadas, pois, é quase inevitável perder um pouco de massa magra em qualquer processo de emagrecimento. Mas, nestes casos, como os citados acima, estudos confirmam que estas são bem superiores. 

Mas, por quê isso importa? 

Pois as perdas acentuadas de massa magra podem resultar em implicações importantes para o metabolismo, funcionalidade do corpo, bem como para a performance, saúde e longevidade.

Ou seja, o número na balança pode mudar — sem que a base do cuidado se transforme.

A boa notícia é que o contrário também é verdadeiro…

Mudança de estilo de vida e sustentabilidade

Quando o processo envolve mudanças gradativas de estilo de vida — na alimentação, no exercício físico e na relação com o comer — é possível ter uma maior preservação dos músculos e uma redução mais consistente da gordura corporal.

Não é o caminho mais rápido, até mesmo porque mudar hábitos não costuma ser da noite para o dia. Mas costuma ser o mais sustentável, além de priorizar um tecido metabolicamente mais ativo e saudável.

Para além da balança

Portanto, talvez repensar o emagrecimento seja, antes de tudo, repensar os critérios de sucesso. Em um cenário que valoriza números rápidos e resultados visíveis, talvez a pergunta não seja quanto peso foi perdido, mas o que, de fato, foi transformado nesse processo. E ampliar o olhar tanto para a composição corporal, quanto para questões clínicas, de comportamento alimentar, de saúde física – e mental, é um passo necessário.

Se o emagrecimento acontece sem mudança de relação com o comer, sem consciência sobre escolhas e sem construção de autonomia, o que realmente foi alcançado? Em tempos de soluções rápidas, essa pode ser uma pergunta desconfortável, mas necessária e reduzir o corpo a um único número pode simplificar demais uma experiência que envolve comportamento, contexto e saúde. 

Até a próxima!

Sobre Beatriz Frias

Beatriz | Nutrição & Estilo de Vida  

{Exercício, Educação & Comportamento Alimentar}

Nutricionista CRN3 82088 e terapeuta nutricional, capacitada pelo Instituto de Nutrição Comportamental. 

Siga no Instagram: www.instagram.com/biafriasnutri

Saiba mais aqui: www.beatrizfrias.com.br

Dúvidas e agendamentos pelo link: wa.me

*Texto originalmente publicado, na  Folha de Piracicaba.


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