Por Beatriz Frias
Intestino, hidratação, fracionamento, sono e exercício também influenciam diretamente na construção e manutenção de músculos.
Hoje em dia, não é raro encontrar pessoas obcecadas em “bater a meta” de proteína do dia. Frango, ovos, shakes, barras e suplementos em geral parecem ser a prioridade número um quando o objetivo é ganhar ou manter massa muscular.
Mas será que consumir a quantidade certa de proteína é suficiente para construir músculos de forma eficiente?
Apenas aumentar o consumo de proteína nem sempre resolve. Inclusive, as recomendações variam bastante na literatura científica — de cerca de 0,8 a 2,2 g por quilo de peso corporal, dependendo da idade, nível de atividade física, estado de saúde e objetivos individuais.
A verdade é que a massa muscular vai muito além do prato. Ela depende de um conjunto de fatores — digestão adequada, fracionamento, hidratação, exercícios de força, sono de qualidade e hábitos consistentes ao longo do dia.
A massa magra não é apenas estética: está relacionada ao metabolismo, à produção hormonal e à proteção dos ossos. E, com o passar dos anos, tende naturalmente a diminuir — um processo conhecido como sarcopenia. Por isso, cuidar desses pilares é essencial para a saúde e a funcionalidade ao longo da vida.
O que muita gente não sabe é que, na prática, alguns fatores do dia a dia podem atrapalhar — e muito — o ganho ou a manutenção da massa muscular.
Confira alguns deles.
Intestino desregulado
De nada adianta consumir boas quantidades de proteína se o organismo não consegue absorvê-la adequadamente.
A saúde intestinal desempenha um papel fundamental nesse processo. Um intestino desequilibrado pode prejudicar a digestão e a absorção de diversos nutrientes — entre eles, os aminoácidos, que são como os “blocos de construção” da proteína.
Além disso, dietas com excesso de proteína, especialmente de origem animal, podem contribuir para desequilíbrios da microbiota intestinal. Então, aqui também vale uma dica extra: variar as fontes, incluindo alimentos de origem vegetal, que contribuem para o aporte proteico do dia a dia, como é o caso, principalmente, das leguminosas (feijões, grão de bico e lentilha), que também são fonte de fibras.
Logo, temos um lembrete necessário: ganho de massa muscular começa no intestino.
Priorizar alimentos ricos em fibras, como: frutas, legumes, verduras e alimentos fermentados pode auxiliar a manter a microbiota mais equilibrada — além de garantir um melhor aproveitamento dos nutrientes.
E claro: a água também faz parte dessa equação.
Esquecer da hidratação
A hidratação muitas vezes passa despercebida, mas ela é essencial para diversas funções do organismo — inclusive para o funcionamento muscular.
A água participa de processos metabólicos, do transporte de nutrientes e da própria contração muscular.
Uma forma simples de estimar a ingestão diária é multiplicar o peso corporal (em quilos) por cerca de 35 ml de água. Esse valor, no entanto, pode ser aumentado em dias mais quentes ou quando há prática de atividade física.
Ou seja: treinar e se alimentar bem também exige hidratação adequada.
Não fracionar o consumo de proteína ao longo do dia
Outro ponto importante é a distribuição da proteína nas refeições.
Para estimular a síntese muscular de forma mais eficiente, o ideal é que o consumo desse nutriente esteja bem distribuído ao longo do dia, e não concentrado em apenas uma ou duas refeições.
Isso ajuda a manter um aporte mais constante de aminoácidos circulando no organismo.
Além disso, consumir grandes quantidades de proteína em uma única refeição não significa necessariamente maior estímulo para a síntese muscular. Estudos sugerem que porções entre 20 e 40 g por refeição já são suficientes para estimular esse processo na maioria das pessoas.
Por isso, distribuir esse consumo ao longo do dia costuma ser uma estratégia mais eficiente. Assim como variar as fontes de proteína e distribuí-las ao longo das refeições — café da manhã, almoço, jantar e lanches.
Falta de exercício de força
A alimentação é importante, mas sozinha não constrói músculo.
O estímulo do exercício — especialmente os treinos de força, como musculação ou exercícios resistidos — é fundamental para que o corpo utilize esses nutrientes na construção e manutenção da massa muscular.
Sem esse estímulo, grande parte da proteína ingerida será utilizada em outras funções do organismo.
Por isso, contar com orientação profissional para um treino adequado ao seu objetivo pode fazer toda a diferença nesse processo.
Dormir pouco
Nem tudo é sobre comer e se exercitar — o descanso também faz parte.
Durante o sono ocorrem importantes processos de recuperação e reparo muscular, além da regulação de hormônios envolvidos no metabolismo e na regeneração dos tecidos.
Quando dormimos mal ou pouco, esse processo pode ser prejudicado.
Ou seja: noites mal dormidas também podem impactar a manutenção e o desenvolvimento da massa muscular.
Mais músculo não depende apenas do prato
Ganhar ou preservar massa muscular envolve muito mais do que apenas aumentar o consumo total de proteínas. Digestão, fracionamento, hidratação, qualidade do sono, prática de exercícios e equilíbrio nas escolhas como um todo fazem parte desse processo.
No fim das contas, o corpo funciona como um sistema integrado — e cuidar dele exige olhar para o conjunto de hábitos, e não apenas para um nutriente isolado.
Talvez o verdadeiro desafio não seja atingir um número e “bater a meta” no aplicativo ou no prato, mas construir uma rotina de cuidados que sustente saúde e movimento ao longo do tempo.
“Ganhar massa muscular não é apenas uma questão de proteína — é resultado de hábitos consistentes ao longo do dia.”
Sobre Beatriz Frias
Beatriz | Nutrição & Estilo de Vida
{Exercício, Educação & Comportamento Alimentar}
Nutricionista CRN3 82088 e terapeuta nutricional, capacitada pelo Instituto de Nutrição Comportamental.
Siga no Instagram: www.instagram.com/biafriasnutri
Saiba mais aqui: www.beatrizfrias.com.br
Dúvidas e agendamentos pelo link: wa.me

Descubra mais sobre Beatriz
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.