Com a idade vem também uma grande oportunidade. De mudar objetivos, escolhas, consciência, visão. Seja por necessidade, ou simplesmente por desejo de se reinventar. Aproveito, então, a partir deste tema, convidá-lo a uma reflexão.
Em uma sociedade que aprendeu que o prazer é demonizado, um alimento “saudável”, nem de longe pode ousar ser apreciado. Já pensou poder comer algo gostoso sem se sentir culpado?
Você deve estar aí se perguntando qual o motivo pelo qual estou este texto, com este parágrafo, começando? Nesse sentido, gostaria de dar um destaque especial para esta lógica impositiva que, ao longo da vida, fomos condicionados.
Lógica a partir da qual aprendemos desde crianças, que o saudável, geralmente, é associado a algo sem graça. Checklists, certo e errado, escolha inteligente. Tudo sem se questionar o que realmente te faz ou não contente. Tudo para assumir uma posição estritamente racional, deixando de lado a escuta subjetiva, a consciência, o emocional.
Aliás, quem já não ouviu falar de que tudo que é bom engorda? Partimos de um pressuposto de que é somente através do sofrimento que iremos atingir a nossa melhor versão. E é aí que mora o problema, neste excesso de RESTRIÇÃO. Na necessidade de impor ordem de cima a baixo, ditar o certo e o errado, bom ou não. Quando, na maioria das vezes, tudo poderia ser mais leve, se ao invés desta lógica dicotômica, fizéssemos mais uso da INCLUSÃO.
Pois, na medida em que mais nos restringimos, mais também nos afastamos de nossos sinais internos. Sejam eles quaisquer, mas aqui, falo especialmente, da fome, da saciedade e até mesmo de nossas vontades. Precisamos acordar e estabelecer um canal mais estreito e respeitoso conosco, nos escutar. Ou melhor, restabelecer este canal que, acabou sendo danificado, por tanto tempo ter sido negligenciado.
Mas, então, como nutricionista, onde fica a minha atuação?
A partir de uma maneira diferenciada, conduzo um processo com foco no longo prazo e na autonomia. Como facilitadora, a fim de mostrar opções e oferecer sugestões. De novas formas, cores e sabores. Longe aqui de ser uma cartilha a ser seguida, até mesmo porque cada um exige uma escuta e um caminho personalizado, cujo trabalho é a quatro mãos, criado.
E não pense que estou falando de uma corrida de 100 metros, tampouco de uma maratona ou evento pontual. É muito mais sobre um caminho para Santiago. Com data para sair, sem dia para chegar. Entretanto com a possibilidade de curtir cada nova descoberta, cada passo, cada lugar.
O peso da balança, apesar de um número, pode ser relativo. Enquanto que mudanças de comportamento ninguém te tira, são para a vida! As ferramentas que aprendeu, a autonomia que conquistou. Aquilo que, muitas vezes, pode não ser tão bem mensurado, mas que possui muito significado.
A fórmula para a longevidade? Essa eu não sei, mas garanto que existe um caminho com muita consciência, sustentabilidade e sentido a ser criado. Vamos juntos?
—————————————————————————————————————————-
Beatriz Frias é Administradora de Empresas de primeira formação e Nutricionista por paixão. Com metodologia de trabalho inovadora, atua como facilitadora em mudanças de Estilo de Vida, através de acompanhamento nutricional mais próximo e humanizado. Confira mais no Instagram: @biafriasnutri.

*Texto originalmente publicado na pág. 47, do Jornal Folha de Piracicaba, no dia 1* de agosto de 2024.
Descubra mais sobre Beatriz
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.